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Lista
geral das localidades
Loule
- Almancil, Alte, Ameixial, Benafim, Boliqueime, Loule (Sao Clemente),
Loule (Sao Sebastiao), Quarteira, Querenca,
Salir, Tor.
Pré-História
Com o valioso contributo da arquelogia sabe-se, hoje, que a
presença do homem no Concelho de Loulé remonta ao
Paleolítico Antigo. Não obstante, até
aos finais do Neolítico não se constata uma
completa ocupação do território.
É provável que, a formação
e o desenvolvimento do povoamento, na actual Cidade de
Loulé, se tenham verificado durante este último
período, através de comunidades que utilizavam
habitats precários, eventualmente rotativos
próprios de agricultores pastores itinerantes, as quais se
encontram associadas à ocupação de
inúmeras cavidades subterrâneas existentes na
proximidade (Goldra, Esparguina e Matos da Nora).
Início do Período
Histórico
Nos milénios seguintes, no período da Era dos
Metais, intensifica-se a incursão dos povos do
Mediterrâneo Oriental, que progressivamente penetram no
Sudoeste Peninsular, e que culmina com a chegada dos
Fenícios e dos Cartagineses que fundaram as primeiras
feitorias na orla marítima do Concelho (Carteia),
incrementando a actividade piscatória, a
prospecção da metalurgia e a actividade
comercial.
Antiguidade e Alta Idade Média
A partir dos meados do século II a.C., após a
Segunda Guerra Púnica, os Romanos dão novo
impulso às actividades económicas desenvolvendo a
indústria conserveira, a agricultura e a
exploração mineira do cobre e ferro.
Até ao momento, na área urbana de
Loulé, os vestígios materiais da
ocupação romana, cingem-se a uma ara consagrada
à Deusa Diana (final do século II d.C.) outrora
incrustada na torre de S. Clemente, existindo contudo, na sua
proximidade, duas pontes que testemunham a presença de um
itinerário que atravessava o povoado (Alámos e
Tôr), topónimos de vilas rústicas
(Clareanes e Apra) e necrópoles que documentam o modo
intenso e organizado como o território foi ocupado. No
século V, Suevos, Vândalos, Asdingos e
posteriormente os Visigodos, desagregam o Império Romano mas
são facilmente cativados pela sua superioridade
civilizacional, adaptando e assimilando os modelos anteriores do
povoamento e experiências culturais das
populações autóctones.
Período Muçulmano
Com a chegada dos Muçulmanos, no século VIII,
nasce a urbe medieval que virá a gerar a cidade
histórica actual. Al’-Ulyã
(Loulé) é-nos descrita, pela primeira vez, nas
vésperas da reconquista cristã, nas
crónicas árabes de Ibne Saíde e Abd
Aluhaid como sendo, uma pequena Almedina (Cidade) fortificada e
próspera, pertencendo ao Reino de Niebla, sob o comando do
Taifa Ibne Mafom.
Esta descrição não deixa de ser
relevante apesar dos cronistas, na alusão à
Al’-Ulyã, se terem preocupado em focar aspectos do
estatuto urbano e valor estratégico da Almedina, omitindo
por completo qualquer tipo de menção sobre o
traçado urbano e arquitectónico.
A segunda metade do século XII e princípios do
século XIII foi uma época marcada por grande
instabilidade política e militar no mundo
islâmico, com dissensões internas que se reflectem
em todo o Garb Andaluz, assistindo-se a um movimento generalizado de
construções militares. É bem
possível que Al’-Ulyã tenha sido
fortificada durante este período.
Reconquista
Do primitivo Castelo Almorávida/Almóada resta,
praticamente intacta, a torre albarrãn em taipa (Torre da
Vela) situada na antiga Rua da Corredora. Em 1249, D. Afonso III
auxiliado por D. Paio Peres Correia, Cavaleiro e Mestre da Ordem de
Santiago, conquista o Castelo de Loulé aos mouros fazendo a
sua integração plena na Côroa
Portuguesa, no momento em que concede o primeiro Foral à
"Vila" em 1266. O segundo Foral foi aos mouros forros, em 1269, que
tinham sido remetidos para o arrabalde a sul da "Porta de Faro", dando
origem ao bairro da Mouraria no qual persistem, ainda hoje, ruelas
estreitas e tortuosas e topónimos medievais como Rua da
Mouraria e Rua dos Oleiros.
Baixa Idade Média
O efeito da reconquista cristã em termos imediatos,
revelou-se negativo para a economia da região, pois terminou
com o ciclo do comércio com o norte de África e a
Andaluzia.
Em 1291, tentando inverter esta tendência, D. Dinis ordenou
que se fizesse uma feira na Vila de Loulé, única
em todo o Algarve, com a duração de 15 dias, no
mês de Setembro. Esta feira realizava-se no Rossio, frente
à Horta D’El Rei, junto à "Porta de
Silves". Este novo modelo de economia de base agrícola,
submetido a um sistema de trocas a nível regional,
não foi suficiente para que a região suprimisse o
isolamento e a estagnação que se prolongariam
até aos finais do século XIV.
O ambiente desolador em que Loulé se encontrava
está expresso nas Actas de Vereação de
1385, pela voz do Camareiro-Mor João Afonso, segundo o qual
a Vila estava bastante despovoada, o seu Castelo estava ermo de
muralhas e no seu interior existiam bastantes pardieiros. Para minorar
a situação, D. João I incentiva, com
privilégios especiais, a população
residente no termo da Vila a habitar o interior da Cerca e doa o
pardieiro, em frente à Igreja de S. Clemente, para
construção de um adro.
Ainda segundo as referidas Actas, corria no Concelho a
notícia de que o Rei de Castela se preparava para entrar em
Portugal. Para precaver um eventual ataque, a
Vereação decidiu reparar a Torre que encimava a
"Porta de Faro" e levantar as muralhas e ameias do flanco sul do
recinto amuralhado.
Esta área foi, até ao séc. XVI e por
razões de defesa e de acessibilidade, o principal
espaço urbanístico e via de
penetração ao interior da Vila. Do Largo da
Matriz, partia um conjunto de artérias - Rua Martim Farto,
Rua da Cadeia e Rua da Matriz - que faziam a
ligação aos diferentes equipamentos e
espaços públicos da urbe, Alcaidaria,
edifício da Vereação, Cadeia e Portas
do Castelo.
Com a epopeia dos Descobrimentos, a região do Algarve,
nomeadamente Loulé, inicia um novo ciclo de crescimento
económico. A actividade comercial é reanimada.
No contexto regional, Loulé ocupa um lugar de destaque no
plano da exportação do vinho, do azeite, da fruta
seca e artesanal, do sal e do peixe. Esta prosperidade trazida pelas
descobertas permitiu que se realizassem importantes obras de
recuperação dos espaços
públicos e a construção de novos
equipamentos. Em 1400, a nascente e fora de portas, construia-se a
Igreja de Nossa Senhora dos Pobres.
Em 1422, as muralhas do Castelo são reedificadas por D.
Henrique de Meneses, 1º Conde de Loulé. Em 1471, a
antiga albergaria é transformada, por ordem de D. Afonso V,
no primeiro Hospital do Algarve, para socorrer os soldados feridos que
regressavam das campanhas de Tânger.
A norte e também fora de muros, estruturam-se
espaços habitacionais organizados entre as ruas do
Poço, a Travessa do Outeiro, a Rua da Laranjeira e a Rua
Alto de São Domingos, onde a Visitação
da Ordem de Santiago de 1565, refere ter existido a Ermida de
São Domingos.
Finalmente e a poente, era construída a Ermida de
São Sebastião e, a menos de meia légua
do centro urbano e ao cimo do outeiro, erguia-se desde então
a Ermida de Nossa Senhora da Piedade.
Idade Moderna
Desde os finais do século XVI a meados do séc.
XVII, o Reino vive, contudo, a perda dramática da
Independência no palco de Alcácer Quibir.
Na região e particularmente na Vila de Loulé, a
segurança das populações encontrava-se
bastante ameaçada em virtude dos ataques redobrados que os
mouros faziam à costa. Alexandre Massay, no levantamento que
fez do Castelo de Loulé entre 1617-1618, a pedido de D.
João de Castro, na altura governador do Algarve, refere que
a maior parte dos muros em taipa se encontram danificados e
caídos.
A partir de 1620, a vitalidade económica do Algarve
começa a decrescer, a população
estagna e a instabilidade política persiste, contribuindo
para o efeito a pirataria berbere.
A expansão urbana de Loulé, no séc.
XVII, ressente-se, como não podia deixar de ser, do
período de recessão que a região e o
País vive, embora se tenha verificado um
apreciável acréscimo de
construções e equipamentos religiosos. A
nascente, fora de Portas, construiu-se, em 1600, a Igreja das Portas do
Céu. Em três das cinco Portas do Castelo, da
"Vila", de "Faro" e do "Sol", ergueram-se três as ermidas de
Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do
Pilar e de Nossa Senhora do Carmo.
No interior da Cerca adossado às muralhas construiu-se a
Igreja do Espírito Santo, recuperou-se e ampliou-se, em 1693
(12), o edifício anexo para o Convento das Freiras de Nossa
Senhora da Conceição. A poente e no termo da
Vila, D. Francisco Barreto, II Bispo do Algarve, lançava a
1ª Pedra do Convento de Santo António, em 1675 (13).
Após a Restauração, o Castelo perde
gradualmente o valor defensivo. No entanto, as áreas
adossadas às muralhas, tanto no interior como no exterior,
não se libertam ainda para novas
construções.
Século XVIII
Na primeira metade do século XVIII, durante o reinado de D.
João V, Portugal viveu um clima de prosperidade
económica sustentado pelo ouro do Brasil. Neste contexto e
aproveitando a actividade artística e cultural inserida no
espírito do Barroco, o interior das Igrejas e Capelas da
Vila são enriquecidas e valorizadas com excelentes
retábulos em talha dourada e em azulejaria, obras que foram
executadas pelos melhores artifíces da região e
fábricas do País. Mas o desenvolvimento
urbanístico deste período é marcado
por um conjunto de construções civis sem
significado arquitectónico que aproximam as áreas
habitacionais marginais ao núcleo antigo, nomeadamente a
oeste da Cerca do Convento da Graça, a sul na antiga
Corredoura, a nascente do antigo Largo dos Inocentes e da antiga Rua da
Carreira e a norte da Rua da Praça e da Rua da Laranjeira.
O terramoto de 1755 destrói grande parte da Vila. As torres
do Castelo partiram-se, as muralhas desmoronaram-se, a Igreja do
Convento da Graça caíu, o Convento do
Espírito Santo e a Igreja Matriz sofriam graves rombos, as
edificações civis que não ruiram
ficaram inabitáveis e o edifício da
Câmara ficou de tal forma arruinado que as sessões
passaram a ser realizadas numa pequena casa na Rua Ancha passando,
depois, a ter lugar num edifício ao fundo da
Praça.
Após a reconstrução da Vila
começaram a surgir em vários pontos da malha
urbana residências apalaçadas, já com
certas comodidades pertencentes à aristocracia burguesa
local. Entre os principais edifícios, destacam-se o palacete
abrasonado, ao cimo da Rua de Portugal, da família Gama
Lobos (1775), o solar, ao fundo da Rua Ancha, da família
Barros e Aragões (onde os franceses estiveram aquartelados
até à sua expulsão em 1808), o solar
da Rua de Santo António, da família dos Palermos
e o solar dos Silveiras situado no alto da Praça. Estas
artérias passam, agora, a ser as áreas
residenciais socialmente mais importantes da Vila. No 1º
quartel do séc. XIX, a instabilidade política
gerada pelas invasões napoleónicas, a partida da
Corte para o Brasil e as lutas liberais, que ainda se arrastaram por
alguns anos, provocaram uma crise na economia e, em
consequência, veio a verificar-se um abrandamento no panorama
da arquitectura e urbanismo da Vila.
Século XIX
Para fazer face aos encargos financeiros do Estado e consolidar o
crédito público, o então Ministro da
Fazenda, Mouzinho da Silveira decreta a venda dos bens nacionais e a
expropriação dos bens conventuais. É
assim que, na sequência destas reformas, o Convento do
Espírito Santo, encerrado em 1836, é ocupado pela
Câmara Municipal e Tribunal Judicial, a igreja conventual
é desactivada e transformada em Teatro e as áreas
adossadas às velhas muralhas do Castelo de Loulé
são loteadas e ocupadas para fins residenciais e comerciais.
No entanto, a maior transformação operada no
plano urbanístico deu-se em 1873, com a abertura da Av.
Marçal Pacheco, que permitiu ligar o sector nascente ao
sector poente da Vila através da Rua da Praça
(actual Av. Praça da República) : e demoliu-se,
então, a ermida do Carmo e parte da muralha a ela adossada.
A Rua da Praça era, já, não
só o eixo principal da circulação mas
o espaço mais importante da prática social,
económico e cultural. Em 1885, passa a simbolizar,
também, o principal espaço político em
virtude do Paço Municipal ter sido tranferido para o
edifício onde, ainda hoje, se encontra.
Ainda até ao final do séc. XIX, a vila expande-se
para poente, iniciando-se a urbanização da Quinta
do Olival de S. Francisco, área que se veio a integrar na
jovem Freguesia de S. Sebastião, criada por decreto
régio em 1890, a partir da divisão da secular
Freguesia de S. Clemente.
Este novo espaço foi concebido segundo um desenho urbano
"moderno" de características recticuladas, ruas desenhadas a
partir de caminhos existentes formando quarteirões
rectangulares e espaços públicos nas suas
intercepções com forma triangular. No plano da
arquitectura não produziu mais do que edifícios
de corrente vernácula, típicos da
região, que reflectiam com coerência o tecido
social que os compunha. É importante salientar que o aumento
demográfico e urbanístico, que ocorre neste
período, está associado ao fenómeno da
industrialização que acabou por atrair a
Loulé a população das freguesias do
interior do Concelho e fora deste, para trabalharem em pequenas
unidades fabris artesanais que entretanto aqui se vieram instalar.
A par deste processo, vieram a registar-se a
evolução dos transportes, a
construção da linha férrea no Algarve
em 1887 e o desenvolvimento das vias de
comunicação, que contribuiram no seu conjunto
para a profunda mudança no modo de viver da
população. No entanto, algumas infra-estruturas e
equipamentos básicos só no decorrer do
século XX é que passaram a ser equacionados de
forma prioritária.
Século XX
Antes mesmo da instauração da 1ª
República, foi construído o Mercado Municipal
(1904-1907), projecto do arquitecto Mota Gomes, um dos
edifícios mais notáveis da arquitectura
contemporânea local. Esta obra veio alterar substancialmente
o desenho urbano da área central da vila, provocando o
derrube considerável da muralha do castelo assim como alguns
edifícios de melhor qualidade aí existentes.
Contudo, a obra de maior alcance urbanístico foi realizada
em 1918 com a abertura da Avenida José da Costa Mealha local
onde a burguesia endinheirada de então aproveita para
construir alguns dos mais belos exemplares da arquitectura civil deste
século
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