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Olhão
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Lista
geral das localidades
Olhao
- Fuseta, Moncarapacho, Olhao, Pechao, Quelfes.
Olhão situa-se no
litoral Algarvio a 12 km do Aeroporto de Faro, a aproximadamente 300 km
do Aeroporto Internacional de Lisboa e a 43 Km da fronteira com
Espanha.
É composto pelas freguesias de Olhão,
Fuseta, Moncarapacho, Pechão e Quelfes e ocupa uma
área total de 126,8 Km2.
De acordo com o XIV Recenseamento Geral da
População (censos 2001), a
População Residente no concelho de
Olhão é de 40.787 mil indivíduos, o
que representa 10,4% de um total populacional de 392 mil
indivíduos residentes no Algarve.
A pesca e a indústria conserveira continuam a ser elementos
fulcrais para a economia do Concelho de Olhão.
A renovação da frota, o crescimento e a
diversificação do sector industrial e da
actividade comercial têm vindo a contribuir para o
desenvolvimento do Concelho, que vive em acentuado progresso e
dinamismo.
História
Remonta ao século XVII a criação da
freguesia de Olhão, consequentemente
é construída a Igreja de Nossa Senhora do
Rosário (Igreja Matriz) que é aberta ao
público em 1715.
Em 1808 envolvidos no espírito da
revolução francesa os olhanenses destacam-se pelo
seu acto heróico ao expulsar os franceses do
“Lugar de Olhão. Como recompensa, D.
João VI eleva-o à categoria de vila, com o
título de Vila de Olhão da
Restauração”.
No decorrer do século XIX, o concelho está
definitivamente constituído pelas 5 freguesias que
actualmente detém.
Vila a partir de então, vai caminhar e entregar-se
à grande obra que num século
transformará uma pequena vila num grande centro
económico, social e urbano que se materializará
na elevação à categoria de Cidade
de Olhão da Restauração em
1985.
A ocupação romana deixou vestígios
importantes em Marim, junto à Ria, onde
existia uma importante estação no séc.
IV, sendo a sua vasta necrópole também utilizada
durante o domínio visigótico (secs. V a VIII). Em
Marim os romanos construíram
salinas e implementaram a indústria de pesca e salga de
peixe, cujos produtos eram depois exportados para todo o
Império (antigos tanques de salga de peixe estão
actualmente expostos no Parque Natural da Reserva da Ria Formosa).
Aliás, Marim estará associada à origem
de Olhão tanto por ter sido o primeiro ponto de
fixação humana na região, como por ter
um grande olho de água doce e que teria dado origem ao
topónimo de Olhão.
Efectivamente, no reinado de D. Diniz, em 1282, iniciou-se a
construção da Torre de Marim, cujos restos ainda
existem na actual Quinta de Marim, para vigiar a Barra Velha (na
época a única entrada do mar para a Ria Formosa
na região entre a Fuseta e Faro) e proteger os habitantes
dos ataques dos piratas mouros. Esta Quinta foi desde logo uma rica
empresa agrícola, atendendo à fartura de
água da sua nascente.
Em data incerta (provavelmente séc. XVI e até
1840) instalou-se em Marim, uma armação do atum
que atraía algumas dezenas de pescadores de Faro,
acompanhados pelas famílias, nos meses de Março,
Abril e Maio.
Certamente alguns destes pescadores, ao verificarem a
abundância de peixe da Ria Formosa, decidiram permanecer nas
humildes cabanas construídas de madeira, canas e palha, onde
hoje se ergue a zona antiga da cidade.
Embora exista um primeiro documento datado de 1378 que se refere a um
"logo que chamam olham", não é seguro que tenha a
ver com o local da actual cidade. O que é seguro
é que em 1614 os registos da Paróquia de Quelfes
já se referiam aos moradores da Praia de Olhão e,
em 1719, já há referências ao Lugar de
Olhão.
A população foi crescendo e, em 1679, a sua
importância justificava a construção da
fortaleza de São Lourenço para defesa contra os
ataques dos piratas. O primeiro edifício de pedra foi a
Igreja da Nossa Senhora da Soledade, construída em data
incerta, e o segundo edifício de pedra foi a Igreja de Nossa
Senhora do Rosário, começada em 1698.
Fotografia editada na década de 1940 e tirada provavelmente
na Culatra, onde se vêem cabanas muito semelhantes
às utilizadas
Só em 1715, porém, é autorizada a
primeira habitação em alvenaria. Efectivamente, o
poder político em Faro sempre recusou
construções de alvenaria em Olhão
até esta data. Curiosamente, o Marquês de Pombal,
em inquérito efectuado no então Reino do Algarve
perguntava pela identificação dos
notáveis de cada localidade. Olhão não
tinha quaisquer notáveis! Era uma pequena localidade sem
aristocracia, apenas constituída por homens do mar, a quem
recusavam autonomia administrativa e durante muitos anos, recusavam a
construção de uma simples casa de alvenaria!
No entanto, Olhão foi-se construindo de uma forma
igualitária, livre, e frequentemente à revelia e
em rebelião com o Poder político
instituído, representado sobretudo pelas duas importantes
cidades vizinhas - Faro e Tavira.
Em 1765, D. José concede finalmente aos mareantes do Lugar
de Olhão (então com 850 fogos) a
autorização de se separarem da Confraria do Corpo
Santo de Faro, constituindo eles mesmos uma confraria sua, que
suportariam às suas custas - o Compromisso
Marítimo.
Foi durante o cerco de Gibraltar, de 1779 a 1783, e mais tarde o de
Cadiz, que os marítimos deste Lugar de Olhão
tiveram oportunidade de progredir economicamente, comercializando com
grandes lucros os produtos da terra - peixes e derivados - quer com
sitiantes quer com sitiados.
Mas foram as invasões francesas que deram a oportunidade a
Olhão de se afirmar politicamente.
Provavelmente devido ao seu espírito igualitário,
sem compromissos com quaisquer poderes instituídos, os
olhanenses protagonizaram no séc. XIX a primeira
sublevação bem sucedida contra a
ocupação francesa (em 16 de Junho de 1808,
actualmente o dia da Cidade), que se tornou um rastilho decisivo para a
expulsão dos franceses do Algarve.
Este momento histórico foi determinante para a
emancipação de Olhão, porque o rei D.
João VI (1767-1826), então refugiado no Brasil,
recebeu a boa nova da expulsão dos franceses
através de um punhado de olhanenses que se meteram ao mar a
bordo do caíque "Bom Sucesso", numa viagem
heróica, apenas orientados pelas estrelas, as correntes
marítimas e um mapa rudimentar! O rei, reconhecido pela
iniciativa da sublevação e pelo
heroísmo da viagem marítima, elevou o pequeno e
desconhecido Lugar de Olhão a vila, em 1808, com o
epíteto de Vila da Restauração.
De 1826 a 1834 os olhanenses lutam encarniçadamente por D.
Pedro contra D. Miguel, transformando-se a vila num dos mais fortes
baluartes do Liberalismo no sul do País, resistindo a
apertados cercos e violentos ataques dos Miguelistas.
Em 1842 é criada na vila uma Alfândega que, em
cerca de 20 anos, se torna o mais importante posto aduaneiro do Algarve
devido à pesca e outros produtos algarvios. Por esta
razão em 1864 é criada uma Capitania do Porto e,
em 1875, o Tribunal Judicial de Olhão.
Na última metade do séc. XIX, a actividade
comercial desenvolvida pelos marítimos olhanenses, cresceu
imenso, estendendo-se até ao Mediterrâneo
Oriental. São conhecidos nesta época contactos
com o Mar Negro (em 1871, um caíque capitaneado por
António da Silva Guerreiro, foi até Odessa, na
Rússia, para comprar cereais) e outras paragens como Oram,
Nemours, Philippoville, Sardenha.
Os contactos com Marrocos e, talvez mesmo com a Grécia,
levam muitos olhanenses a construir as suas
habitações de modo semelhante, cúbicas
e caiadas de branco, o que valeu a Olhão a alcunha de "vila
cubista".
Na primeira metade do séc. XX, a
instalação da indústria de conservas
de peixe, fez de Olhão uma vila rica e extremamente
produtiva. A primeira fábrica de conservas surgiu em 1881,
fundada pela empresa francesa Delory, e em 1919 já existiam
cerca de 80 fábricas. Talvez expressão desse
desenvolvimento foi o facto de o Sporting Clube Olhanense ter-se
consagrado Campeão Nacional de Futebol em 1924.
Infelizmente, na última metade do séc. XX, a
decadência da indústria conserveira e da
própria pesca empobreceu a vila que, no entanto, foi elevada
a cidade em 1985.
Actualmente, Olhão renasce com o mesmo espírito
igualitário e de liberdade que a define. Continua a ter na
pesca um dos esteios da sua economia, mas começa a
lançar-se de forma decidida no turismo de qualidade, com a
recente construção do porto de recreio.
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