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Marcos Serra, Silves, Tunes.

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Pêra, Pêra, São Bartolomeu de Messines,
São Marcos da Serra, Silves, Tunes.
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História
do Concelho de Silves
A presença do homem do Paleolítico é
confirmada por uma estação
arqueológica. Toda a área do concelho de Silves
foi, porém, habitada no Neolítico e na Idade dos
Metais, como confirmam os muitos achados arqueológicos,
sendo de referir a abundância de monumentos
megalíticos - menires no arenito vermelho da
região ou em calcário.
0 rio Arade foi, desde tempos recuados, uma via de
penetração dos barcos dos povos do
Mediterrâneo fenícios, gregos, cartagineses -
atraídos pelo cobre e ferro extraído no ocidente
algarvio. Comprova-o a estação
arqueológica do Cerro da Rocha Branca infelizmente
destruída - a menos de um quilómetro de Silves,
que foi habitada desde o final da Idade do Bronze e que, no
séc. IV a. C, teve uma forte muralha de defesa e
ocupação posterior nos períodos romano
e muçulmano.
É à navegabilidade do rio Arade e à
sua posição estratégica no alto de um
morro dominando um vasto espaço que Silves deve a sua
fundação, possivelmente durante o
domínio romano, mas é com a
ocupação muçulmana, iniciada cerca de
714/716, que Silves se torna uma cidade próspera que, no
séc. XI, era capital do Algarve e, segundo alguns autores,
chegava a ultrapassar Lisboa em dimensão e
importância. Neste período Silves é,
igualmente, um centro cultural onde residem poetas, historiadores,
juristas.
As convulsões religiosas e políticas que
assolaram o mundo islâmico nos sécs. XI e XII
repercutiram-se, em Silves, pelas frequentes mudanças dos
seus senhores e por cercos e lutas entre facções
rivais. Tal facto foi aproveitado pelo rei D. Sancho I para, com o seu
exército e o apoio de cruzados do Norte da Europa que se
dirigiam à Palestina, pôr cerco à
cidade em 1189.
A luta por Silves foi demorada e cruenta tendo, segundo as
crónicas do tempo, perdido a vida muitos dos seus
habitantes, vencidos pela fome e pela sede ou trucidados quando do
saque pelos cruzados. 0 domínio português
manteve-se por menos de dois anos já que, em 1191, a cidade
era recuperada pelos mouros. Apesar de ter perdido muita da sua
população e riqueza, Silves foi elevada a sede de
bispado e do governo militar após a conquista definitiva da
cidade no âmbito da ocupação
cristã do Algarve -1242/1249 -, finalizada no reinado de D.
Afonso III.
Os séculos seguintes foram difíceis para Silves
que, pela perda do comércio com o Norte de África
e pelo progressivo assoreamento do rio, viu afastar-se o lucrativo
tráfego marítimo e, com ele, a
influência económica, política e
militar, enquanto localidades como Lagos, Portimão e Faro
cresciam em importância. Catástrofes naturais como
a peste, terramotos e as febres provocadas pelo pântano em
que se transformara o Arade contribuiram, também, para a
decadência da cidade.
0 golpe de misericórdia foi dado, em 1534, com a bula papal
que permitia a transferência da sede do bispado para Faro, o
que veio a acontecer anos depois. Silves nunca mais recuperou o seu
esplendor passado e, durante quase três séculos,
foi uma cidade com um número reduzido de habitantes.
A fruta seca e, sobretudo, a cortiça vieram dar, na
última metade do séc. XIX, nova vida e
prosperidade à cidade, que se tornou um dos principais
centros da sua transformação. Hoje, Silves
é uma cidade orgulhosa do seu passado, sede de um concelho
com uma economia em crescimento e diversificação.
Conhecer o
Concelho de Silves
SÃO BARTOLOMEU DE MESSINES
Situada num longo e fértil vale mantém, em
algumas ruas - como a do Remexido, atravessada por um arco - o
pitoresco de uma povoação algarvia. Local de
nascimento do poeta João de Deus (1830-1896), autor da
Cartilha Maternal, método de aprendizagem das primeiras
letras largamente utilizado no final do séc. XIX e
início do séc. XX. Placas assinalam as duas casas
onde viveu.
Igreja matriz
Ao edifício construído no séc. XVI, na
transição do estilo manuelino para o
renascença, foi, no início do séc.
XVIII, adicionada uma fachada barroca, de grande efeito
cénico pelo contraste entre o branco das paredes e as
cantarias em grés vermelho, realçado pelo
espaçoso adro com escadório e entrada formada por
pilastras.
Interior de três naves com arcos redondos suportados por
colunas salomónicas. 0 arco triunfal da capela-mor tem
colunas tríplices não torcidas.
Retábulo em talha dourada (séc. XVIII).
As duas capelas colaterais têm abóbodas artesoadas
manuelinas, enquanto as capelas laterais revelam já o estilo
renascença nos seus arcos. Os retábulos de talha
dourada (séc. XVIII) são de boa feitura,
merecendo atenção especial os frontais
polícromos em
baixo relevo, de decoração marcadamente barroca.
No topo das naves laterais dois painéis de azulejos
polícromos do séc. XVII representando a
Eucaristia e Nossa Senhora da Conceição. Do mesmo
século são os azulejos que revestem as faces
interiores de três altares laterais.
0 elegante púlpito e escada de acesso, executado com
mármores da região, é uma pequena
obra-prima do barroco (início do
séc. XVIII). Nos mesmos mármores outras
peças de mobiliário sacro como a mesa e
lava-mãos da sacristia, a pia de água benta.
A igreja detém, ainda, um valioso conjunto de imagens dos
sécs. XVI a XVIII, com destaque para as dedicadas
à Virgem: Nossas Senhoras da
Conceição, da Glória e da
Saúde.
Algumas ermidas ao gosto rural evocam devoções
antigas: São Sebastião, dentro da
povoação, e em pequenos outeiros circundantes
Santa Ana, São Pedro e Senhora da Saúde, que numa
das paredes tem uma cruz feita com azulejos polícromos do
séc. XVII.
À DESCOBERTA DE MENIRES
A área de São Bartolomeu de Messines é
rica em vestígios do passado. Entre eles contam-se os
menires, testemunhos da cultura megalítica (IV-III
milénios a.C.) no Algarve, como o de Monte de Alfarrobeira,
convertido em estela decorada na idade do Bronze, e os do Cerro da
Vilarinha, dos Gregórios e de Abutiais, que se encontram
tombados. Do mesmo período é o
santuário da Rocha, em Vale Fuseiros constituído
por pequenas covas abertas na rocha, com uma extensão de
quase 100 metros.
ALGOZ
O verde dos laranjais, figueiras e amendoeiras rodeia a
povoação que ainda mantém algumas
casas antigas, bonitas chaminés rendilhadas, humildes
ermidas de paredes brancas.
Igreja matriz
Com a arquitectura singela do séc. XVIII, tem no seu
interior pequenos tesouros de arte. Nos azulejos do séc.
XVII que revestem as paredes e abóboda do
baptistério, de grande efeito decorativo, e parte das
paredes. No retábulo de talha dourada da capela do
Santíssimo ao gosto "rocaille" e nos retábulos
dos dois altares colaterais (séc. XVIII). Nas imagens, com
destaque para dois Cristos processionais vestidos com saiote.
Celeiro do Monte da Piedade
Pertenceu à antiga associação
mutualista que apoiava os seus membros através de
empréstimos. 0 portal é, possivelmente, um
aproveitamento de cantarias do séc. XVI. A fachada,
além da placa que refere a data de 1704, contém
um decorativo óculo e uma cruz feita com azulejos
polícromos de padrão (séc. XVIII).
Ermida de Nossa Senhora do Pilar
Situada no alto de uma colina é um bom miradouro das
paisagens em redor. 0 conjunto do pequeno altar surpreende pela
harmonia conseguida entre o retábulo de talha, o frontal e
os azulejos (início do séc. XVIII). Arco triunfal
com pinturas decorativas emoldurando passos da Paixão de
Cristo (séc. XVIII).
ALCANTARILHA
A igreja domina, com as suas paredes caiadas, a
povoação que se espraia cenicamente pela colina.
Igreja matriz
Do edifício primitivo do séc. XVI apenas resta a
capela-mor manuelina, a que foi adicionado um retábulo de
talha dourada do séc. XVIII. Capela baptismal com silhar de
azulejos (séc. XVII). Na sacristia um valioso arcaz encimado
por nicho decorado com folhagens de acanto (séc. XVIII).
Anexa à igreja, uma Capela dos Ossos, com cerca de 1.500
caveiras revestindo as paredes e tecto.
Igreja da Misericórdia
Exteriormente singela. No interior merecem ser vistos a imagem e
retábulo de talha dourada do altar e as bandeiras utilizadas
em procissões (séc. XVIII).
Castelo
De origem medieval, tinha como missão defender a
população de Alcantarilha e das
povoações em redor dos ataques dos piratas
mouros. Reconstruído nos sécs. XVI/XVII,
está actualmente em ruínas.
PÊRA
Em volta da igreja muitas das ruas conservam as casas tipicamente
algarvias, de paredes caiadas e platibandas decoradas.
Igreja matriz
Exteriormente sem valor arquitectónico. A talha dourada da
capela-mor, das capelas colaterais e das capelas de Nossa Senhora do
Rosário e do Sagrado Coração de Jesus
constituem um conjunto de retábulos representativos da arte
algarvia da época (séc. XVIII). Paredes laterais
da capela-mor revestidas com azulejos representando os Quatro
Evangelistas enquadrados por molduras barrocas e, na
abóboda, azulejos de figura avulsa (séc. XVIII).
Núcleo de imagens da mesma época.
Do tesouro sacro fazem parte paramentos e uma custódia de
prata de bom lavor.
0 adro da igreja é um excelente miradouro sobre os campos e
o mar.
Igreja da Ordem Terceira de São
Francisco
A arquitectura pobre da fachada oculta uma capela-mor com um
retábulo de talha de bom desenho, evidenciado nas colunas e
no sacrário (início do séc. XVIII).
Mais tardios e ao gosto "rocaille", as decorações
das paredes e tectos e a talha do baldaquino da tribuna. Telas do
pintor algarvio Rasquinho (sécs. XVIII/XIX).
UMA LARGA E BONITA PRAIA
Armação de Pêra foi, durante
séculos, um povoado de pescadores atraídos pela
abundância de peixe, sobretudo atum e sardinha, que depois de
salgado era vendido no sul e centro do país.
Para sua defesa contra os ataques dos piratas e corsários
foi erguida, no séc. XVII, por iniciativa de um
próspero proprietário de barcos e artes de pesca,
a pequena fortaleza de que resta um dos muros com portal encimado pelas
armas reais numa pequena elevação sobranceira ao
mar. Data de igual período a capela no seu interior,
dedicada a Santo António.
Armação de Pêra de boje
mantém o tipicismo das fainas de pesca na praia dos
Pescadores. Mas são os turistas, atraídos pelo
extenso areal e águas cálidas, que lhe
dão uma vida cosmopolita, animada e colorida.

Visitar
Silves
O vermelho escuro das fortes muralhas do castelo
dominando a cidade e a paisagem em redor. A arquitectura feita de luz e
arte de uma igreja gótica. Os vestígios da
presença árabe na história da cidade.
As ruas de casas brancas que reflectem o sol e o céu azul.
Atractivos de Silves, onde o passado se junta ao presente para tornar
cada visita numa recordação que perdura.
Sé Velha
Edificada com o belo grés vermelho da região,
possivelmente no local da antiga mesquita, o início da sua
construção data da segunda metade do
séc. XIII ou início do séc. XIV. Os
trabalhos prosseguiram até meados do séc. XV,
após desabamento parcial. Sofreu
alterações arquitectónicas no
séc. XVIII.
A fachada principal é dominada pelo portal gótico
envolto por um espaldar que termina num varandim suportado por
cachorros com carrancas. O óculo e os dois
botaréus completam os elementos da
construção primitiva, já que toda a
restante fachada e torres são barrocas. Ainda no exterior
são de referir a grande janela ogival, com quatro colunelos,
junto à escadaria e o formoso conjunto da cabeceira da
igreja.
Interior de três naves, com colunas de desenho singelo e
arcos ogivais. 0 transepto e a ábside constituem, pela sua
beleza, um bom exemplo da arte gótica.
Capela-mor ladeada por absidiais com abóboda nervurada. No
altar-mor uma imagem de jaspe de Nossa Senhora com o Menino
(séc. XV/XVI?). No chão, lápides
funerárias, referindo-se uma delas à sepultura do
rei D. João II (1455/1495), falecido em Alvor, mais tarde
trasladado para o Mosteiro da Batalha. Capelas colaterais do
Santíssimo e de Nosso Senhor dos Passos, com imagens do
séc. XVIII.
Junto à entrada principal abre-se a capela gótica
de João do Rego, situada por debaixo da torre sineira, que
contém dois túmulos sob arco-sólios.
Entre o património da Sé Velha contam-se duas
grandes telas representando São José e Santa
Bárbara (séc. XVIII), o retábulo
renascença (séc. XVI) de uma das capelas laterais
e os túmulos de mármore de João
Gramaxo (1516) e de um bispo, com o relevo de um báculo.
CENTRO HISTÓRICO
O tempo e o homem alteraram a cidade muçulmana e
cristã que foi "cabeça" do Algarve. Silves
mantém, porém, muito do seu encanto nas ruas da
antiga almedina, que respeitam o traçado medieval.
As construções que se estendem das muralhas
até ao rio são, em muitos casos, bons exemplos da
arquitectura burguesa do final do séc. XIX e primeiras
décadas do séc. XX, associada à
prosperidade trazida pela indústria da cortiça.
Pode, também fazer-se uma leitura do passado da cidade. A
actual Rua da Sé foi a Rua Direita onde se aglomeravam as
lojas dos grandes mercadores. A Judiaria ficava entre a Rua da Porta de
Loulé e a actual Casa paroquial, enquanto a Sinagoga ficava
extra-muros. A passagem entre a Judiaria e a Sinagoga era,
então, feita pela Porta de Loulé, a oriente da
Cidade, sensivelmente, perto do Castelo. E os muçulmanos
conquistados tiveram, como sucedeu em todo o Portugal, as suas
habitações fora das muralhas - a Mouraria - que
se situava aproximadamente na área hoje delimitada pelas
Ruas Samora Barros e Francisco Pablos.
Igreja da Misericórdia
Edifício do séc. XVI, revela a sua origem
manuelina num pórtico lateral muito lavrado, colocado acima
do solo, possivelmente a primitiva entrada. Na fachada principal um
pórtico de linhas clássicas. Interior de uma
só nave. Capela-mor com abóboda nervurada e
retábulo renascentista (séc. XVI), com pinturas
posteriores. Conjunto de bandeiras da Misericórdia, ainda
utilizadas em procissões.
Capela de Nossa Senhora dos Mártires
Situada extra-muros foi erguida, em princípio, no
séc. XII para recolher os portugueses e cruzados mortos
durante a primeira conquista de Silves. Foi reconstruída no
séc. XVI e, mais tarde, no séc. XVIII.
Fachada principal ao gosto barroco enquanto que o denticulado da
capela-mor pertence ao período manuelino (séc.
XVI). Capela-mor com abóboda artesoada rematada com Cruzes
de Cristo e símbolos religiosos e militares.
Retábulo do séc. XVI. Na capela encontram-se,
também, dois retábulos provenientes da
Sé, em talha dourada (séc. XVIII).
Pelourinho
Símbolo do poder municipal. Reconstruído a partir
de elementos do séc. XVI. Exemplar único em todo
o Algarve.
Cruz de Portugal
Localizada junto à antiga estrada que estabelecia as
ligações com o Norte e com o reino de Portugal
(esta é, possivelmente, a origem do seu nome), desconhece-se
a data exacta da sua realização (séc.
XV ou início do séc. XVI).
É um dos mais formosos cruzeiros portugueses tendo numa das
faces Cristo crucificado e na outra a Mater Dolorosa. A base data de
1824.
Castelo
O maior castelo do Algarve e o mais belo monumento militar da
época islâmica em Portugal, tem origem na cintura
de muralhas construídas durante o período de
ocupação muçulmana, provavelmente
sobre fortificação tardo-romana ou
visigótica (sécs. IV/V). Onze torres, das quais
duas albarrãs - unidas às muralhas por um arco de
suporte ao caminho de ronda - e fortes muralhas envolvem uma
superfície de aproximadamente 12.000 m2.
A porta dupla de entrada é defendida por duas torres
existindo, ainda, o postigo da "porta da traição"
nas muralhas voltadas a norte. Quatro das torres, modificadas quando da
reconstrução realizada no séc. XIV ou
XV, têm portas góticas, salas abobadadas e pedras
marcadas com as siglas dos pedreiros medievais.
O castelo, que abrigava a antiga alcáçova
islâmica - o "Palácio das Varandas" cantado pelos
poetas
local de residência do senhor da cidade e de altos
dignatários, de que foram encontrados vestígios
nas escavações de sondagem realizadas,
contém um poço muito profundo (cerca de 60 m),
uma grande cisterna com quatro abóbodas assentes em altas
colunas e grandes silos subterrâneos para guardar cereais.
As suas torres e muralhas são um magnífico
miradouro sobre a paisagem circundante.
Muralhas da cidade
As defesas de Silves, para além do castelo, compunham-se,
segundo a descrição de um cruzado que participou
na sua conquista, por três linhas de muralhas.
Dessas muralhas apenas restam alguns panos construídos em
arenito vermelho e taipa - mistura de argila, cascalho, areia e cal -,
e algumas torres que protegiam a área residencial, ou
almedina, de Silves. Com pouco mais de 1 quilómetro de
extensão, abrangiam uma área de sete hectares.
Das quatro portas da almedina apenas resta o Torreão da
Porta da Cidade, composto por uma torre albarrã,
construída no séc. X11 ou XIII, que dá
acesso, através de dois corredores, à cidade. A
torre tem no interior duas salas e anexos onde, durante
séculos, esteve instalada a Câmara Municipal e,
desde 1983, os serviços da Biblioteca Municipal. 0 seu
acesso é feito por uma escada exterior,
construída posteriormente, e pelos dois altos
passadiços originais.
Ponte sobre o rio Arade
Construção de origem medieval estabeleceu,
até há poucos anos, as
ligações de Silves com o litoral.
Museu Municipal
Encostado a uma das muralhas da cidade tem no seu interior um
poço-cisterna, revestido a alvenaria e taipa, de origem
islâmica (séc. XI), com uma profundidade de 18 m e
2,5 m de diâmetro. Uma escadaria em caracol dá
acesso ao fundo. 0 poço foi entulhado no séc. XVI
e sobre ele construída uma casa que ocupava o local onde
hoje se ergue o Museu.
As colecções do museu incluem espólios
arqueológicos do concelho, merecendo referência
especial a colecção de cerâmica
muçulmana recolhida nas escavações
feitas no castelo.
SILVES E OS DESCOBRIMENTOS
Silves participou na primeira fase da gesta dos Descobrimentos,
dinamizados pela presença do Infante D. Henrique, o
Navegador (7394/1460) no Algarve.
É a um Diogo de Silves que se deve a primeira viagem de
reconhecimento dos Açores. João do Rego,
Cavaleiro da Casa do Infante D. Henrique, e Gastão da Ilha,
ligado ao povoamento da ilha da Madeira, têm os seus
túmulos na Sé Velha. E um bispo de Silves chegou
a armar uma caravela para as navegações nas
costas de África.
São, porém, os Descobrimentos uma das causas da
decadência de Silves, ao fazer dos portos do litoral algarvio
os novos centros económicos e políticos.
DESCER O RIO ARADE
Durante milénios barcos vindos do Atlântico e do
Mediterrâneo subiram e desceram o rio. Refazer esse percurso
é caminhar pela história. Que começa
em Silves e. logo em seguida, com a antiga península onde se
ergueu a feitoria e fortaleza do Cerro da Rocha Branca. Mais abaixo, os
restos de uma torre de vigia medieval e, no ilhéu do
Rosário, vestígios da presença dos
romanos. Foi neste troço do rio que acostaram os barcos dos
cruzados quando da primeira conquista de Silves e, antes deles, em 966,
uma frota de navios vikings, desejosos de saque, foi cercada e
parcialmente destruída.
Continuando rio abaixo chega-se a Portimão e ao mar,
às fortalezas que defendiam a barra do rio.
ENTRE POMARES E SERRAS
O vasto triângulo definido por Silves, São
Bartolomeu de Messines e Armação de
Pêra é terra de pomares e hortas, de pequenas
povoações com casas caiadas de janelas e portas
debruadas a azul, chaminés rendilhadas.
Percorrê-la é a oportunidade de apreciar o
colorido dos laranjais, o rosado das romãs, o verde
pálido das amendoeiras, as formas dramáticas das
figueiras rentes ao chão, as grandes copas das alfarrobeiras.
Para norte são as serras de formas redondas como seixos
rolados, cobertas de uma vegetação tipicamente
mediterrânica em que estão presentes sobreiros,
medronheiros, azinheiras, estevas e urzes. Além de muitas
espécies de uma flora diversificada, interessante do ponto
de vista botânico, afeita aos solos pobres de xisto e ao
clima.
Nesta paisagem feita de sol abrem-se as janelas de frescura das
barragens do Arade e do Funcho, do casario branco de
povoações que, como São Marcos da
Serra, rompem o quase deserto das serranias.
Todo este espaço é habitado por uma fauna variada
que tem nas aves o seu principal atractivo com cerca de oitenta
espécies nidificantes. Tornando a serra um ponto de
observação privilegiado de aves como o
açor, o gavião e várias
águias, do pombo torcaz e pica-paus às canoras
cotovias, melros, rouxinóis, pintassilgos e muitas mais.
ARTESANATO DE TODOS OS TEMPOS
As finas rendas de bilros que uma artesã produz em Silves,
os trabalhos de empreita e esparto que ainda ocupam as mulheres das
pequenas povoações espalhadas pelo concelho,
são exemplos das antigas técnicas e
tradições que se mantêm vivas nos
nossos dias.
Mais ao gosto dos tempos actuais são os azulejos, as
peças de cerâmica, as pequenas miniaturas de
típicas casas algarvias, as colchas e almofadas feitas com
coloridos retalhos de pano produzidas em Silves. E, também,
as jóias e outros objectos decorativos realizados na aldeia
serrana de São Marcos da Serra.
OS PRAZERES DA MESA
À beira-mar, é o peixe acabado de pescar pelos
barcos de proas coloridas que faz as honras da mesa. Sardinhas,
carapaus, sargos, robalos e muitos outros peixes deliciam quem gosta de
grelhados. o marisco, da lagosta ao camarão e à
ameijoa, também não falta. E quem gosta de
receitas típicas dos pescadores delicia-se com a caldeirada
à tia Chica, as sardinhas albardadas, os carapaus alimados.
Mais para o interior a cozinha tem outros sabores. Como as papas de
milho, as fatias de Barrocal, a que não falta o sumo das
laranjas e a carne de porco.
Nos doces têm fama os morgados de Silves, decorados com
folhas e flores de açúcar, as lesmas, recheadas
como ovos moles, e os folhados de Messines.
Para completar a refeição não podem
faltar as doces laranjas e tangerinas, o rubi das romãs, os
figos e uvas produzidos no fértil pomar que é
grande parte do concelho de Silves. E, também, o mel com
sabor a alecrim e rosmaninho, a aguardente de medronho dos povoados
serranos.
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